quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Mushishi


Mushishi é um termo usado para um colecionador de Mushis, seres simples, primitivos e brilhantes que irradiam por todos os lugares e nas palavras de Ginko, o protagonista: ”São criaturas de Yin vivendo na fronteira entre Yin e Yang”.

Por serem seres primitivos e estarem em vários lugares habitados por humanos os Mushis acabam interferindo na suas vidas, desde fazendo-os ver luzes, os próprios Mushis, até realizar sonhos, fazendo as vidas de alguns humanos adentrarem a sua realidade sobrenatural para convergiram em um mundo que pode desde se tornar um pesadelo em meio ao nada no meio de um túnel que não tem fim e pode sair em qualquer lugar a qualquer tempo a até o nascimento de uma criança dentro de uma planta.

Essas histórias fantásticas são contadas por uma arte excepcional, lembro quando eu comecei a rodar em meu computador ultrapassado e a abertura, onde fotos reais (acho eu) de galhos de folhas são iluminadas por luzes, deixavam minha maquina lenta, quase travando por causa do nível de detalhamento.

O mangá Mushishi foi transformado em anime usando um formato diferente do usado em obras de Animes atuais, sem sagas, heróis, mocinhas e inimigos e a própria narrativa tendo outro formato.

Os 26 capítulos são contados como séries americanas, onde não existe relação entre os capítulos tornando-os várias histórias independentes.

E levando em conta a sua originalidade, em 2006 o anime foi premiado com o “Tokyo International Anime Fair”, nas categorias: “Série Televisiva” e “Direção de Arte”, algo como a maior premiação da animação japonesa.

Por conta dessa obra ímpar, Katsuhiro Otomo que criou Akira, dirigiu o filme live-action dessa obra que usa como contexto o Japão medieval.

Se você gosta de histórias de fantasia, singelas e gosta de prestar atenção na arte do que é exibido, esse mangá é uma sugestão muito boa, caso você prefira continuar no mundo cinza, sujo e real, não assista a esse mangá e vá assistir tv.


domingo, 26 de agosto de 2007

X/1999, clássico desrepeito ao consumidor

Ao vasculhar meus livros, revistas e mangás encontrei alguns capítulos da série:X/1999.

No inicio achei se tratar de algum problema por parte da editora nacional, mas descobri que foi uma pausa feita em 2002 pela editora original e autor.
Até hoje não publicaram os últimos capítulos no Japão e até fizeram os OVA chamados X-TV.

A minha coleção eu acabei vendendo depois de tanto tempo, esperar 4 anos sem saber o final de uma mangá é uma situação muito ruim, chega até a ser desrespeito para falar a verdade, o leitor gastar dinheiro na época que é publicado para ficar na mão depois, e se tivesse como pediria meu dinheiro novamente para a editora japonesa, visto que a editora nacional não tem culpa.
A pergunta é, será que não existe comprometimento por parte dos autores japoneses com os seus consumidores?

Será que eles devolvem o dinheiro de quem não quer esperar a boa vontade do autor para escrever ou até da editora em publicar?

Parece ser normal no Japão os autores fazerem pausas para se recompor ou procurar novo material, pausas justificadas e não tão longas como nesse caso, mas 5 anos não se justificam.

Não sei ao certo como funciona o mercado japonês quanto aos autores, vou publicar um post futuro sobre isso, mas fica aqui a minha manifestação de descontentamento quanto a descaso que foi a publicação deste mangá, X/1999, que no final das contas não era tão bom a ponto de valer a pena esperar 5 anos.

link para a abertura do X-TV para quem quiser ver o que não foi publicado.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Vagabond o mangá - Parte 2


Muitos personagens históricos reais são apresentados, como o famoso ninja Hanzou(aquele mesmo do jogo Samurai Shodown), o feudo senhor feudal de Yagiu, o monge Takuan, comentarei mais o livro em um post futuro.

Os personagens principais foram mantidos da obra original, mas com mudanças e roupagem nova no mangá, mudanças que funcionariam perfeitamente como no caso de Sasaki Kojiro, que de antagonista, falastrão, mulherengo e violento se torna um singelo jovem mudo, é também o personagem onde o autor atinge o seu ápice narrativo.

O personagem Shishido Baiken é totalmente diferente do apresentado no livro, seguindo um conselho que o filho do autor do livro passou a Inoue, para não seguir rigidamente o que foi escrito.

Se for seguida a cronologia dos livros, o mangá de Vagabond não atingiu nem 1/3 do conteúdo, porém não devemos contar com essa proporção, pois tudo depende do que o autor decidir fazer.

Agora quanto ao mangá, não há contra indicação, apenas leia atentamente cada um dos quadros e preste atenção na arte para captar tudo que o autor tenta passar, e falo, aproveite, pois nesse exato momento, estamos com um clássico mangá em mãos e que futuramente poderemos mostrar a outras pessoas e dizer:”Eu li enquanto o autor produzia”.
E como diz Shishido Baiken à Musashi a certa altura do mangá:”Nesse exato momento muitas vidas são tiradas ou se esmaecem...”, no nosso caso aproveite e leia o mangá enquanto isso.

Link para video da série live-action japonesa baseada no livro.

Link para o Instituto Niten, representante da organização japonesa que prega os ensinamentos de Miyamoto musashi

Link para a editora que publica Vagabond no Brasil

Vagabond o mangá - Parte 1


Ao visitar uma Anime me deparei com a estande da editora Conrad onde havia promoção de 3 mangás de qualquer tipo pelo preço de 1.

Ao olhar as opções notei que havia um tal de Vagabond com uma capa com arte diferenciada das outras, pareciam pinturas feitas a pincel ao invés das tradicionais capas computadorizadas, que foi a opção que escolhi entre outros.

A arte era diferente dos tradicionais mangas, você chegava a ponto de ver todas as folhas de uma arvore serem desenhas e insetos pulando dentro de tatames, o protagonista não era um adolescente com super poderes e nem voava, o enredo tinha um contexto histórico, e não havia as típicas jovens de olhos grandes e escandalosas.

Mas apesar destas qualidades a arma principal de Takehiro Inoue, o autor, é a força narrativa que já mostrava desde Slam Drunk, outro trabalho publicado no Brasil.

Você começa a ler o mangá e se envolve de uma forma que parece que as páginas evaporam perante os olhos em 5 minutos, e ainda ficávamos com a sensação de que “acabou muito rápido, porém de forma intensa”.

Depois dos primeiros contatos com o mangá, um conhecido me apresentou ao livro “Musashi” de “Eiji Yoshikawa” que é a obra fonte para o mangá, dois livros de aproximadamente 800 páginas escritos diariamente em um intervalo de 20 anos como coluna de um jornal lá nos anos 40.

O livro narra detalhadamente a vida do jovem Takezo que se torna Miyamoto Musashi, o seu renascimento chegando ao ponto onde Musashi enfrente o seu maior rival, tudo devidamente adaptado para um livro, levando em consideração os costumes, fatos e datas.


quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Animes e Mangás no país do futebol


Nos últimos anos o mercado de revista em quadrinhos (HQ e Mangá) sofreu grandes mudanças.
Com o sucesso de Animes como DBZ e Pokémon o mercado de mangá inicio suas operações por aqui.
Nos primórdios, apenas mangás de animes que estavam sendo transmitidos por aqui e que haviam sidos criados há anos estavam disponíveis nas bancas de jornais.
Mas nos últimos 3 anos muitos título foram lançados pelas editoras a ponto de gerarem caixa para novas empreitadas, que seria a fase onde os mangás seriam lançados enquanto ainda estavam em produção no Japão, casos como Vagabond e Evangelion.
E dando um passo a frente, chegamos ao estágio atual, mangás que atualmente estão em evidência no mundo, Bleach, Naruto e Death Notes são publicados por aqui.

O mercado de Manga no Brasil atingiu um nível hoje onde podemos pegar um manga em que neste exato momento o autor pode estar pensando como será o próximo capítulo, isso é sinal de evolução do mercado.

Porém as editoras não se atentam quanto a quantidade de lançamentos.

Por mais viciados que sejam os “otakus” (fãs de Mangas) o dinheiro não dará para comprar tudo, e alguns acabam optando por 3 ou 4 preferidos para acompanhar.

Talvez o próximo passo nesse mercado seja a redução destes títulos para haver esse ajuste, saberemos isso nos próximos meses ou anos.

O mercado de Animes abriu as portas para os Mangas se popularizarem em nossa sociedade, porém o mercado de manga que não depende de restrições e interesses de emissoras de TV, que são poucas, acabou passando a frente.

No Brasil, apenas Animes de cunho mais adolescente/infantil e direcionado para o público das manhas de semana é que são exibidos, tornando esse mercado muito restrito e de baixa qualidade.

O mercado de Animes para outros públicos que não adolescente/infantil está fadado a existir apenas nos canais de TV paga, deixando um vazio imenso no mercado por conta desse público que vai aos cinemas apenas ver animações americanas ou acaba baixando pela internet o seu Anime preferido.

Vaias para as emissoras de TV aberta que controlam o mercado deixando atrasado da forma que está e aplausos para as editoras de Mangas que trazem produtos cada vez melhor ao nosso público.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Princesa mononoke

Hayao miyazaki é o nome do maior diretor de animação da atualidade, apesar de sua aposentadoria e passada do cajado ao filho Gedo Senkino na animação Tales from Earthsea, o seu trabalho continua sendo muito respeitado e sendo lembrado por todos.
Uma das obras de referência para qualquer sobre o trabalho de Miyazaki é Princess Mononoke, que pasmem, desbancou o Titânic nas bilheterias japonesas em 1997, e pasmem naquela época eu nem sabia o que era anime.
Video com uma introdução a história.
Um pouco da história
, jovem é infectado mortalmente por um deus/tatarigami javali moribundo contaminado pelo ódio contra os humanos em forma de um demônio.
Em busca de cura o jovem é obrigado a abandonar a sua aldeia que se encontra em processo de extinção e seguir para as grandes florestas dos deuses onde encontra uma vila metalúrgica no meio da floresta que funciona como um câncer destruindo toda a natureza e entrando em conflito com os deuses da natureza.
As cenas da floresta apinhada de kodamas são incríveis, os musgos sobre as pedras, as arvores caídas, cor das arvores, as trilhas assim como plantas são mostrados em um nível de detalhamento que beira ao perfeccionismo.
Video de tributo a Ashitaka.
Ashitaka
tem uma postura perante o seu destino e as pessoas que vão aparecendo a sua volta que impressiona. O jovem o tempo todo tenta acalmar os corações de todos assim como mediar uma solução onde ninguém saia prejudicado, enquanto as disputas pelo poder da vila de Eboshi que se inicia entre um feudo e a própria, os caçadores que estão atrás do Shinimigami, deus supremo da floresta, os deuses da floresta que estão em guerra com os humanos, parecem se chocar como forças que buscam soluções apenas para os seus problemas.
Talvez essa seja a concepção da postura de um guerreiro por parte de Miyazaki, valentia, bondade e nobreza que as vezes beira a inocência.
Um video de tributo a San e a seu amado.
Sam humana abandonada por seus pais e adotada como terceira filha por Moro a deusa Loba, a jovem busca ardentemente se vingar de Eboshi e dos humanos que destroem a floresta onde mora, sua valentia e aguçada postura para o combate chamam atenção, assim como de Ashitaka que se apaixona pela jovem.
Combate entre eboshi e San
Eboshi é a líder da aldeia mineradora que destrói aos poucos a floresta, sua postura decidida/fria e ambiciosa que em alguns momentos mostra colocar até a vida dos outros como suporte a conquista de seus objetivos se contrapõe a todos, deuses, feudos e até o próprio país.
Apesar de sua aparente frieza seus atos objetivam trazer uma vida melhor aos moradores da sua vila e alcançar o seu objetivo de se contrapor ao país e talvez mostrar independência.
Na sua vila de “mineradoras”, ex-prostitutas trabalham na parte pesada enquanto os homens servem apenas como soldados e carregadores de mantimentos, a estrutura mostra o quanto sua líder é independente e feminista.
As mãos de Miyazaki criam cenas minuciosamente detalhadas, é possível escutar a respiração dos lobos quando correm, a agilidade real dos personagens quando combatem e os movimentos dos reais dos personagens.
A forma de usar arcos e flechas, assim como o efeito da gravidade em uma flecha sendo atirada de cima de uma montaria é vista nitidamente, o detalhes são tantos que é difícil reparar pelo nosso costume do que vemos no dia-a-dia, porém não notamos que se trata de uma animação tradicional comprovando a qualidade da obra.
O roteiro também é um ponto forte, os seus trabalhos, assim como em Spirited Away/A viajem de Chihiro procuram sempre acompanhar o nível da animação para não tornar esse perfeccionismo visual deverás chato.
O cuidado dado a obra é tão grande que a versão em inglês foi adaptada pessoalmente por Neil Gaiman.
No final das contas o trabalho de Miyazaki se torna único em sua busca pela perfeição, e acaba sendo difícil avaliar e descrever em poucas palavras, apenas aconselho a fazer, parafraseado o que Ashitaka diz em princesa mononoke, “Veja com olhos não velados pelo pré-conceito” que você entenderá o valor dessa obra e o quanto o Miyazaki é único.